sábado, 12 de agosto de 2017

SONETO - Lembrança de Contraste (VM)


LEMBRANÇA DE CONTRASTE
(Padre Antônio Thomás)

*Márcio Catunda (quartetos)
**Vianney Mesquita (trísticos)


Em nós existem dois seres: o autor e o espectador. 
Henryk. Sienkiewicz  
Escritor polaco 
Nobel de 1905 – 1846-1916




Da infância, o lindo afã são as cantigas
Levadas pelo adulto vida afora.
Eram os dias jardins sem urtigas,
Água ensombrada em mansidão da hora.

Num tempo de colher doces espigas
Que a gleba do sentir não descolora,
O peregrino não teme as fadigas.
Ao ter saudades do êxtase d’agora.

Lépidas, entanto, aportam a adolescência,
A adultidade e a pronta senescência,
Para a infrene descensão da escada.

E, disparada, a degenerescência,
Celeremente, nos vêm dar ciência
De ser verdade o já não sermos nada.





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