segunda-feira, 31 de julho de 2017

RESENHA - Programa Dimensão Total (30.07.17)


PROGRAMA
DIMENSÃO TOTAL
30.07.17



Dimensão Total é um programa radiofônico semanal de debates, do Jornalista Ronald Machado, pela Rádio Assunção Cearense, na sintonia AM 620 ou pela Web, aos domingos, entre 10 e 12 horas, tendo como assistente de estúdio o radialista e produtor executivo Alexandre Maia.



O Jornalista Ronald Machado abriu o programa deste  domingo, dia 30 de julho, colocando no ar a canção Vai Trabalhar Vagabundo, do compositor Chico Buarque de Holanda, que foi a música-tema daquela edição do Dimensão Total.  

A música, lançada no início dos anos 70, foi tema de um filme de 1973, de mesmo nome, dirigido por Hugo Carvana, que instiga o brasileiro a trabalhar, veio a calhar neste momento em que o maior drama do País é o desemprego.

Compareceram ao programa o advogado e analista político Roberto Pires, o médico psiquiatra, antropólogo e professor Antônio Mourão, o Senador Cid Carvalho, o jornalista e advogado Reginaldo Vasconcelos, o sociólogo Jawdat Abu-El-Haj, da Universidade Federal do Ceará, o advogado e economista José Maria Philomeno, o advogado e jornalista Heleno Lopes e o jornalista Ronald Machado.




Os temas debatidos se circunscreveram ao delicado momento político que o Brasil vive atualmente, com um grande número de parlamentares investigados, incriminados ou presos pela Operação Lava Jato,  um Presidente da República acusado de crime de corrupção pelo Ministério Público Federal, na expectativa de ter ou não autorizado pelo Congresso o recebimento da denúncia pelo Supremo Tribunal.




Enquanto isso a economia do País vai mal-e-mal, e o Presidente, mesmo acossado pela oposição, se debate para melhorar os índices e vencer a crise aguda produzida pelas duas Administrações anteriores, das quais ele participou como vice-presidente, representando o principal elo de ligação do seu partido político, em coligação com o grupo encravado na cúpula no poder    porém pairando de forma decorativa, sem autonomia para opinar ou atuar nas diretrizes nacionais.

A opinião geral manifestava perplexidade pelo fato de que o povo não tem se manifestado nas ruas, diante do caos absoluto, a maioria achando que a população está apática diante de todos esses descalabros, alguns defendendo que essa passividade seria característica do povo brasileiro, a que obtemperou Antônio Mourão, que apresentou dados históricos de que a vida nacional tem sido marcada por revoluções, golpes, protestos e revoltas.

Reginaldo Vasconcelos lembrou que o impeachment de Dilma Rousseff retirou do poder o Partido dos Trabalhadores, mas deixou em seu lugar o PMDB, liderado por Michel Temer, até então seu maior aliado, eivado dos mesmos vícios, de modo que o povo certamente está quedo e silente, no aguardo de que o atual mandato tampão se encerre para que se possa lobrigar novos horizontes para a política nacional.  

Frisou que, em suma, o grande problema do Brasil é o arremedo de República que sofremos, fruto de um golpe militar contra a Monarquia, e que vem desde lá de déu-em-déu, como deixou registrado o escritor Lima Barreto, tema do Festival Literário de Parati deste ano, que no final do Século XIX já denunciava que a democracia republicana brasileira era movida a corrupção. 

Cid Carvalho fez um libelo contra o discurso "viralatista" de falar mal do Brasil e de seu povo, e a propósito disso polarizou-se uma acalorada discussão entre ele e José Maria Philomeno, este a favor da privatização dos aeroportos brasileiros, aquele contra a entrega desses equipamentos estratégicos a empresas estrangeiras pensamento em que foi apoiado por Mourão.

Instado a falar, Jawdat Abu-El-Haj repartiu salomonicamente a opinião de cada um – até pela sua condição de estrangeiro – considerando a elevada importância de defender a nacionalidade, mas transigindo com o pensamento divergente, fazendo o temperamento de que o mundo globalizado exige que não se exercite nenhuma forma de xenofobia tecnológica ou financeira. 

Sequenciando no mesmo tema, Reginaldo Vasconcelos frisou que a controvérsia se devia ao fato de que Cid Carvalho, o decano na mesa de debates, vem de um tempo em que o patriotismo e o nacionalismo vigoravam no Brasil.

Esses valores, lembrou ele, foram questionados pela onda socialista dos anos 60, de vocação internacionalista, de modo que após a ditadura militar restou um ranço cultural contra qualquer ufanismo patriótico, assim como contra os rigores hierárquicos e repressivos do mundo castrense.




Citou Reginaldo, a propósito, ter ouvido uma repórter de TV pontificar que as disciplinas escolares de Moral e Cívica e de OSPB (Organização Social e Política Brasileiras), que faziam parte do currículo oficial durante os anos de chumbo, teriam sido implantadas pelos militares para induzir a juventude à sua ideologia direitista.     

Roberto Pires e Heleno Lopes trataram das mazelas do Judiciário cearense, denunciaram seus cacoetes, a má qualidade da nossa magistratura, fizeram críticas a medidas tomadas por membros do Tribunal de Justiça do Estado.

O programa terminou com uma conversa rápida e descontraída sobre o futebol, tendo em vista que tanto Ceará quanto Fortaleza, os principais times do Estado, estão bem situados no campeonato nacional, ambos tendo obtido vitórias contra times de fora.

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