sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ARTIGO - Não Era a Economia? (RMR)


NÃO ERA A ECONOMIA?
Rui Martinho Rodrigues*



A inflação brasileira alcançou níveis civilizados. Os juros são os mais baixos já vistos por toda uma geração de brasileiros. A economia volta a crescer, sinalizando o fim da recessão em menos tempo do que em Portugal, Grécia, Espanha e outros países que viveram uma crise semelhante.

Até o desemprego parou de crescer e começa a declinar mais cedo do que se esperava, por ser sempre a última coisa que se recupera após uma recessão. A lavoura apresenta um volume de produção extraordinariamente elevado, valendo-se mais do aumento de produtividade do que do aumento da área plantada. A balança comercial tem obtido resultados favoráveis, aumentando ainda mais as já expressivas reservas de divisas.



É a economia que determina o humor dos eleitores? Não, todo determinismo é equivocado. A economia é um fator politicamente importante. Não tem, todavia, o poder de influenciar, sozinha, a política. Todos os indicadores econômicos favoráveis não evitam o recorde negativo de popularidade do presidente.

A recuperação econômica inevitavelmente é lenta e o eleitorado não compreende isso. A cegueira dos paradigmas faz com que até pessoas letradas e bem informadas achem compreensível que treze anos de governo petista não tenha sido suficiente para equilibrar o endividamento herdado do governo FHC, apesar da economia mundial ter ajudado  mas acham imperdoável que dois anos não sejam suficientes para a recuperação plena da economia brasileira.

As reformas são outro fator importante para a formação da opinião pública ou publicada, como diria Churchill (1874 – 1965), conjunto complexo de variáveis que escapam ao entendimento da maioria dos brasileiros; contraria a ideologia hegemônica; fere poderosos interesses corporativos; necessariamente retira vantagens, pois não se faz ajuste de contas sem dor.

As redações ideologizadas dos órgãos da grande mídia, escolas, parte significativa do clero e demais formadores de opinião, não compreendendo ou mentindo deliberadamente, fazem campanha contra a economia ortodoxa, a única que dá resultado. A elite suicida permite que as suas empresas de comunicação, ou por ela financiada com os seus anúncios, assim como as escolas onde os seus filhos estudam, sejam aparelhadas.

Foi criado, apesar de tudo, o teto de gastos, que talvez não seja possível implantar, devido à situação calamitosa das contas públicas e aos problemas políticos. As reformas administrativa, tributária e previdenciária não foram feitas. Mas, nem um mágico as faria, nas atuais circunstâncias.

A corrupção generalizada do mundo político impacta fortemente na popularidade do Governo, envolvendo a pessoa do presidente e dos seus colaboradores mais próximos. O Macunaíma está revoltado com as práticas políticas, ainda que a economia apresente melhoras.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

NOTA JORNALÍSTICA - ACED



Academia Cearense de Direito
realiza debate sobre 
segurança pública



A Academia Cearense de Direito, em parceria com a Associação das Líderes Femininas do Ceará, tendo à frente Selma Cabral, receberam o Ten. Cel. Juarez Gomes, Diretor Geral da Academia Estadual de Segurança Pública, no Ciclo de Debates da ACED, para tratar do tema Segurança Pública.

Como debatedor atuou o Acadêmico e Presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, Leandro Vasques. O auditório da instituição estava lotado e a sociedade pôde participar ao final com perguntas e sugestões. O atual Presidente da ACED, Roberto Victor Ribeiro, avaliou que o evento atingiu êxito pleno.



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ARTIGO - Precisamos de um Novo Parlamento (CA)



PRECISAMOS DE
UM NOVO PARLAMENTO
Cândido Albuquerque*



Denomina-se parlamento a instituição política que forma parte do governo de um país e que tem como característica principal estar composta por vários membros, de diversas tendências ideológicas, religiosas e sociais, sendo, pois, a instituição que melhor e mais diretamente representa o povo. 

Além da chamada função típica, que é a de legislar (o que não é pouco), no caso do Brasil, cabe ao parlamento muito mais, especialmente fiscalizar os atos do Presidente da República e “zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes”.

Nesse sentido, nenhuma reforma importante pode ser introduzida na vida dos brasileiros sem a aprovação do Congresso Nacional. Nos sistemas bicamerais, como é o caso do Brasil, surge o Senado da República como um “olimpo” moderno, com função moderadora, onde representantes dos Estados e do povo, em representação igualitária e membros com mais de 35 anos, têm a prerrogativa de, dentre outras atribuições, julgar o Presidente da República e os Ministros do Supremo Tribunal Federal. Sim, é isso mesmo! Os Ministros do Supremo Tribunal Federal estão sob a “jurisdição” do Senado da República nas infrações político-administrativas cometidas no desempenho da função, o que, por si só, mostra a importância do Senado.

Nesse contexto, enquanto o Poder Executivo normalmente é exercido por um partido, e o Judiciário é apartidário, o Legislativo, nos regimes democráticos, é pluripartidário, pelo que, representando quase todos os segmentos sociais, representa, por excelência, os anseios do povo. É, assim, um poder fundamental para o equilíbrio democrático da nação, sendo, portanto, a instituição que melhor e mais eficientemente calibra o equilíbrio entre os demais Poderes. Espera-se, portanto, que seja integrado por homens e mulheres de reputação ilibada e passado limpo.

No caso do Brasil, lamentavelmente, não é esse o cenário que se apresenta! E sob todos os aspectos.

Boa parte dos deputados e senadores é acusada ou está sendo investigada pelo cometimento de crimes, e alguns parlamentares são acusados de desvios de verbas públicas, razão pela qual estão sujeitos a julgamento pelo STF. Ali, muitos são “defendidos pelo tempo” e se livram dos processos pela prescrição. E mais, alguns “operam”, dissimuladamente, com o serviço público, e outros ficaram ricos contratando, também dissimuladamente, com o poder público.


Esse é o lamentável quadro do nosso Parlamento, apesar, registre-se com louvor, da presença de alguns que honram e dignificam o Legislativo. Nesse quadro, já se tornou “coisa comum” o Executivo negociar verbas com parlamentares para aprovar leis e emendas à Constituição, o que bem demonstra a decadência dos “nossos representantes”.

Não podemos mais aceitar que parlamentares negociem indicações para órgãos públicos de onde esperam vantagens ou que negociem verbas que destinarão a prefeitos em troca de votos para a reeleição. Precisamos dar um fim nessa promiscuidade, e, certamente, isso não será alcançado com a recondução de muitos dos que hoje operam dessa forma e querem voltar. Precisamos mudar a imagem do nosso parlamento, ou nenhuma mudança será verdadeira.

A qualidade da composição das nossas casas parlamentares, embora alguns não percebam, é fundamental para o reequilíbrio do Brasil e a construção do nosso futuro. Não podemos mais tolerar que políticos profissionais se equilibrem na função pública, ou que herdeiros mal-sucedidos na vida privada encontrem no Parlamento uma atividade profissional.

Diante desta realidade, ou mudamos a nossa representação parlamentar, pelo voto, imediatamente, ou, seguramente, o problema político brasileiro deve ser creditado ao eleitor.


ARTIGO - A Intervenção no Rio (RMR)



A INTERVENÇÃO NO RIO
Rui Martinho Rodrigues*



Fatos exigem interpretação, que consiste na busca do significado e do alcance dos mesmos. Temos uma intervenção militar no Rio? Não. É medida da competência do chefe do Executivo Federal, sujeita a homologação pelo Legislativo e foi submetida aos Conselhos da República e de Defesa Nacional. É constitucional e foi adotada pelo Poder competente.

Não sendo militar a intervenção, por que nomear o chefe do Comando Militar do Leste, General Walter Braga Neto, como interventor? Foi uma opção política. Talvez revele desconfiança quanto aos quadros da PMRJ, que sob o comando de um militar federal seriam enquadrados por um chefe afeito à disciplina da caserna; ou porque o "efetivo" e o poderio bélico das facções criminosas exijam operações de natureza militar, ao invés de operações de caráter policial, tornando necessária a participação de forças federais, ao invés de uma simples intervenção na gestão da segurança.

Tem natureza partidária? Pode ser. Especula-se que poderia prejudicar a candidatura Bolsonaro, seja na hipótese do sucesso, tornando desnecessário a tese da eleição do capitão para o combate ao crime; seja pelo fracasso, levando o eleitorado a perder a confiança na solução fardada. Pode ser ainda uma tentativa de obter popularidade para ter alguma influência nas próximas eleições.

Não surpreende que políticos façam política usando a máquina governamental, sem muitos escrúpulos. Seria desvio de finalidade? Não, se considerarmos a grave situação do Rio, e que os principais críticos do governo gostam de afirmar que tudo é política.

Foi a decisão certa? Primeiro perguntaríamos: era necessária? Sim. O Estado perdeu o controle da situação. Foi feito da melhor maneira? Não. A reunião do Alto Comando do Exército, que apreciou a decisão, se deu na véspera da divulgação da intervenção. Não houve preparo ou planejamento. É preciso que o interventor tenha os meios necessários para agir, tanto meios materiais (em tempo de contingenciamento de verbas); como instrumentos legais. Seria preciso decretar o estado de defesa, para que operações semelhantes às de uma guerra não se façam com as limitações próprias de ações policiais.

Não sendo suficiente, seria decretado o estado de sítio. A exigência constitucional da comoção de repercussão nacional existe: famílias despejadas de suas casas, pessoas assassinadas aos milhares, policiais caçados diariamente, autoridades forçadas a negociar acordos com bandidos, deputados intimidados. O que falta para configurar a necessidade de estado de defesa, seguido, se necessário, de estado de sítio?

Então tudo vai ser resolvido? Não. A forma de execução merece reparos, mas alguma coisa precisava ser feita. Outras medidas, porém, visando resultados de longo prazo, são necessárias. Resta saber se serão adotadas.




COMENTÁRIO:

Creio que a fala do Senador Magno Malta, ao votar a favor da Intervenção Militar do Rio de Janeiro, na Sessão Especial da noite de ontem, dia 20, resolve todo o questionamento sobre a necessidade e a oportunidade da medida. Sua mãe tinha um tumor no cérebro aos cinquenta e poucos anos, o médico indicou rádio e quimioterapia.

– Vai resolver, Doutor?

– Não sei. Mas alguma coisa precisa ser feita.

Quanto à candidatura Bolsonaro, acho que a medida não tem como prejudicar – até porque não tem como não dar certo a operação, no que dependa do desempenho das Forças Armadas no cumprimento da missão.  

Ademais, ainda que a Intervenção não alcance em plenitude os objetivos colimados, algum efeito positivo terá, e isso abrirá espaço para o argumento perfeito do candidato militar à Presidência da República.

Se ocorrer um resultado parcial, Bolsonaro vai indicar razões políticas para o sucesso limitado da operação, apresentando-se como a solução perfeita, já que, uma vez eleito, na sua pessoa se concentrariam a experiência castrense e o poder econômico estatal, o fuzil e a caneta.

Ridícula a posição das esquerdas, que se aproveitam do grave momento para fazer ataques descabidos à Presidência da República, imaginando as mais mirabolantes razões politiqueiras para o enérgico decreto. 

Reginaldo Vasconcelos    


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

NOTA LITERÁRIA - Uma História do Brasil em Manuscritos



UMA HISTÓRIA DO BRASIL
EM MANUSCRITOS

A JOIA BIBLIOGRÁFICA
DE JOSÉ AUGUSTO BEZERRA


Recebemos hoje, com imensa alegria, uma obra de arte bibliográfica, de cunho histórico e científico, um livro belíssimo intitulado “Uma História do Brasil em Manuscrito”.

A obra foi produzida em 2011 pelo pesquisador cearense, escritor e colecionador de livros raros, José Augusto Bezerra, Imortal da Academia Cearense de Letras e sócio do Instituto do Ceará – Histórico, Geográfico e Antropológico, instituições das quais  foi Presidente.


Augusto Bezerra é também o atual Presidente da Associação Brasileira de Bibliófilos, entidade nacional de que é fundador, em colaboração com um grande jornalista e advogado, empresário e escritor, o paulista José Mindlin, falecido em 2010, legando à cultura brasileira uma magnífica biblioteca, com peças valiosíssimas que garimpou pelo mundo e em que investiu a vida toda.

A edição deste livro, lançado sob os auspícios do Instituto do Ceará, obteve apoio cultural do Banco do Nordeste do Brasil e da Fundação Edson Queiroz, esta tendo à frente na época o nosso saudoso Chanceler Airton Queiroz.



Aliás, tanto Airton Queiroz quanto José Augusto Bezerra são Membros Beneméritos da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), para honra e júbilo da nossa confraria.


A obra, que recebeu vários prêmios internacionais, traz reproduções fotográficas de uma infinidade de imagens históricas e de documentos manuscritos ilustrando os textos descritivos, que no seu conjunto contam a História do Brasil, fazendo prova documental de seus episódios e revelando o caráter de muitos de seus mais destacados personagens.


RESENHA - Observatório (18.02.18)


PROGRAMA OBSERVATÓRIO


A edição deste domingo, 18 de fevereiro, do Programa Observatório, do jornalista Arnaldo Santos, recebeu os juristas Rui Martinho Rodrigues,  e Roberto Martins Rodrigues, componentes de sua equipe de debatedores, ambos da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ), e como convidado especial o Prof. Álder Teixeira, da UFC e da UECE, pensador e blogueiro, crítico de arte e de cinema.

Os temas foram os pré-candidatos à Presidência da República para as eleições deste 2018, e o Decreto de Intervenção Federal sobre a área de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, com a criação de um Ministério para federalizar o combate ao crime organizado.

Considerou o Prof. Rui Martinho Rodrigues que o País vive uma crise de liderança, e que nenhum dos nomes postos até agora são satisfatórios. Arnaldo considerou que o estoque de grandes estadistas de que se dispunha no passado se extinguiu, deixando a sociedade desorientada. 


Rui acha que esse deserto de líderes ocorre porque ninguém resiste ao excesso de exposição produzido pela tecnologia. Isso faz com que se rasgue o véu da política e caiam as máscaras dos políticos. O desmonte da política tradicional tem favorecido o surgimento de "salvadores da pátria" populistas, líderes despreparados prometendo falsamente moralizar a Administração Pública – de Collor a Lula.

Álder Teixeira pontuou não haver comparação entre Lula e outros ex-presidentes, nem com o Bolsonaro, dois que ainda polarizam a opinião pública sobre a sucessão presidencial – aquele já eliminado da disputa pela Lei da Ficha Limpa, este perdendo a sua posição de anti-Lula, que o enfraqueceu, marcado ainda pela fama de ser da extrema-direita, com viés para o nazismo. Segundo o Álder, Lula foi o único presidente que conseguiu promover a cidadania plena, por ter garantido os Direitos Civis, os Direitos Políticos e os Direitos Sociais.

Roberto Martins Rodrigues observou que a República Brasileira, ao manter um presidencialismo totalitário, ainda estaria contaminada pelos eflúvios da Ditadura Vargas e do Regime Militar. Segundo entende, somente o parlamentarismo, que é pedagógico, nos libertaria desse estigma político, encontrando a plena democracia. Lembrou que o povo, estranhamente, embora demonstre saudosismo pela Monarquia – rei disso, rei daquilo – entretanto rejeitou essa forma de governo, no plebiscito de 1993.


Arnaldo feriu o tema da pretensa candidatura do apresentador de TV Luciano Huck, estimulada por Fernando Henrique Cardoso, e pela Rede Globo, e Rui Martinho Rodrigues obtemperou que Huck já se declarou fora da disputa, diante da oposição da emissora, que, ao contrário, o teria ameaçado de demissão. 

Rui defendeu que há um excesso de demandas democráticas, requerendo benesses plenas em nome do "estado de bem estar social", que a realidade econômica não suporta implementar. Então, aparecem as celebridades, para galgar mandatos, prometendo mundos e fundos que jamais vão entregar.

Arnaldo referiu ao problema dos partidos políticos apresentarem aos eleitores candidatos de má-qualidade, apontados sem critérios morais  e intelectuais. A isso Roberto Martins Rodrigues exemplificou com o PT, que surgiu como esperança, mas sem um programa de governo, foi uma grande frustração.
    
Alder Teixeira invocou Noam Chomsky, citado por Norberto Bobbio, para trazer uma definição muito simples de direita e esquerda, aquela composta pelos que se preocupam com os pobres, esta empenhada em proteger os ricos – aos quais ele da a qualificação esquerdista de "elites".  

Pontuou o Prof. Rui Marinho Rodrigues que,  embora a intervenção seja uma medida extrema, que talvez se torne um abacaxi para as Forças Armadas descascar, a medida era um imperativo, e não uma opção, diante do caos instalado na Segurança Pública do Rio de Janeiro. Ficar como estar não é possível. Ele vai mais longe, defendendo um decreto de Estado de Emergência, ou Estado de Sítio, para dotar o interventor de poder de polícia absoluto. 

Álder reagiu e discordou, citando livro do filósofo franco-argelino Alberto Camus, denominado "Estado de Sítio", dizendo que para ele essa medida "cheira a existencialismo". Que a democracia brasileira está em risco, porque tem desprezado os mais pobres, anotando ele que no Brasil apenas cinco famílias detém a riqueza de  52% da população. 


A isso obtemperou Rui Martinho Rodrigues, no sentido de que a esquerda brasileira esteve no poder por 12 anos, praticou paternalismo social, sem ter promovido desenvolvimento, nem deixado grande obras concretas no País. E que, enfim, não foram as teorias esquerdistas, mas a economia de mercado que melhorou o mundo, inclusive a vida dos pobres, que hoje desfrutam de confortos a que antes não tinham acesso.

Por fim, Arnaldo Santos fez referência ao jornalista e advogado Reginaldo Vasconcelos, Presidente da ACLJ, integrante da equipe de debatedores do Observatório, que teria um arsenal de argumentos bem embasados e convincentes sobre esse binômico direita-esquerda. 

Apresentou ainda os duas mais recentes obras literárias do Prof. Rui Martinho Rodrigues, "Talvez em Nome do Povo"  e "O Desafio do Conhecimento Histórico".

O Observatório, apresentado pelo Jornalista e Sociólogo Arnaldo Santos, titular fundador da ACLJ, vai ao ar todos os domingos, pela TV Fortaleza, canal 6 da Multiplay, às 23 horas, com reprises às segundas e sexta-feiras, às 22 horas.

RECOMENDAÇÃO DE LEITURA - ACCA (VA)


ACADEMIA CEARENSE
DE
CULTURA E ARTE
Fundada em 05 de Fevereiro de 2005
Fortaleza - Ceará - Brasil


19 de fevereiro de 2008.


LEIA E PRESTIGIE OS AUTORES CEARENSES:


FORTALEZA AMADA E QUERIDA - 15 FEV 2018


Diretor de Imprensa e Divulgação:
Jornalista e Radialista Vicente Alencar.
vicentealencar25@yahoo.com.br


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CRÔNICA - Jogo de Botão (TL)


JOGO DE BOTÃO

Totonho Laprovitera*


Antes do offset, os jornais eram impressos no processo tipográfico e em procedimento de composição manual de seus textos. Para tanto, utilizava-se da linotipo, uma máquina com teclado, como a de escrever, que fundia em bloco de barra de chumbo cada linha de caracteres tipográficos. Depois, as matrizes eram devolvidas às suas caixas, para novo uso.

Falando nisso, na minha infância, lembro que uma vez eu fui bater no jornal O Povo, para pedir pequenas sobras de chumbo e usá-las como peso no goleiro, feito de caixa de fósforos, do meu time de futebol de botão.

Para fazer o tal goleiro, eu enchi a caixa de fósforos com chumbo, a enrolei com fita isolante – ou foi esparadrapo? – colei as figuras do escudo, foto e número, para depois cobri-la com durex. Assim, ficou pronto o meu goalkeeper pra entrar em campo e jogar!

– À gol.

– Preparado, pode chutar.

Chutou...

– Gol!

– Não, o goleiro defendeu!

O jogo de botão foi uma das brincadeiras que eu mais dei valor em minha infância e adolescência. Quando não jogava com alguém, eu jogava só, com direito a irradiar a partida e imitar com a boca a torcida, com sua charanga e fogos!

Pois é, dentre tantas partidas, copas e campeonatos, o que mais ganhei foram as infindáveis lembranças de tempos felizes que vivi no principiar da minha vida.





COMENTÁRIO:
  
Totonho Laprovitera, em sua ótima croniqueta, fala da feitura do goleiro de chumbo, mas não refere em sua narativa se seu time de botões era de osso, ou de plástico, ele que é bem mais jovem que nós outros.

Da minha geração em diante as matérias derivadas de petróleo substituíram as coisas de origem vegetal ou animal, dentre elas os pequenos discos de osso bovino que abotoavam as roubas e que depois eram convocados para o futebol de mesa.

Ainda um dia desses o sambista carioca Paulinho da Viola contou em documentário que no começo da fama foi visitado no camarim de um show por três jogadores do Vasco da Gama, o seu time do coração, os quais, por seu turno, tornaram-se seus fãs.  

Ao defrontar os ídolos, a única coisa que lhe ocorreu foi lhes revelar que eles emprestavam seus nomes a peças integrantes de sua equipe de botões – todos ósseos, certamente.

Por meu turno, também homenageio em crônica de 1993 o time de botões que possui na infância, pelos idos dos anos 60, falando do seu craque principal, o Índio, um verdadeiro Garrincha entre os meninos e ex-meninos do bairro, por seguidas gerações.

De todos os times de botões que a Cidade conheceu, o Índio foi o mais famoso jogador. Só se prestavam a esse jogo os botões de osso, sabe Deus por que. Talvez tivessem a lisura ideal e o peso suficiente, o fato é que hoje, com o advento do plástico, nenhum paletó poderia fornecer um atleta respeitável”. (Traços da Memória – Laços da Província)

Reginaldo.



sábado, 17 de fevereiro de 2018

ARTIGO - Impasse e Oportunidade (RMR)



IMPASSE E OPORTUNIDADE
Rui Martinho Rodrigues*



O cenário político brasileiro, à semelhança de uma encruzilhada, apresenta o caminho do impasse e a estrada da esperança. Os argentinos optaram pelo impasse há mais de meio século, escolhendo a decadência. Os nossos jornalistas, quando retornavam de alguma missão naquele país, emitiam elogios à politização do seu povo. Taxistas, porteiros de hotel, populares nas ruas, todos discutiam os intrincados problemas nacionais. A perseverança com que os nossos vizinhos do Sul perseguiram o desastre foi o resultado disso.

Povo “politizado” era povo tomado de paixão partidária e ideológica, manipulado pelos (de)formadores de opinião, por sua vez iludidos por aquela que alguns gregos chamavam de “Bem-Aventurança” e outros preferiam chamar “Deusa Mentira”, que prometia estrada e cama macia, além do direito de colher sem precisar semear.

As paixões manifestas na forma de ânimos exacerbados se instalaram no Brasil, ao modo da Argentina. Tornamos-nos um deserto de líderes e de partidos dignos deste nome. O nosso povo, outrora havido como cordial, revelou uma intolerância extrema, criando uma atmosfera política envenenada.

A continuidade do presidencialismo de cooptação, o aparelhamento das instituições de ensino e dos órgãos de informação prosseguem de modo cada vez mais acentuado. A insegurança jurídica decorrente da politização do STF e da judicialização da política alcançou níveis surpreendentes. As reformas necessárias foram demonizadas pelo populismo. Este é o caminho do impasse, já percorrido pelos argentinos e cujos resultados conhecemos.

Mas nem tudo está perdido. As redes sociais contornaram a barreira do aparelhamento dos órgãos de informação e das instituições de ensino; a maioria silenciosa parece despertar, apesar do desânimo diante do deserto de líderes e partidos; os escândalos desmascararam os falsos vestais da República e as religiões políticas, abalando a hegemonia do “ópio dos intelectuais” (Raymond Aron, 1905 – 1983); a recessão começa a bater em retirada; já existem vozes que ousam defender as reformas e dizer que não existe almoço sem cobrança da respectiva conta.

Talvez o mais importante sejam os indícios do surgimento do ânimo de participação na vida pública por parte de novos atores, estranhos no ninho da política. Os baixos índices, obtidos pelas novas figuras nas pesquisas eleitorais têm pouco significado, pois eles ainda não são conhecidos e só os veteranos estão fazendo campanha.

Mas isso deverá mudar no curso do certame eleitoral, quando os novos nomes se tornarem conhecidos e forem expostos os laços dos profissionais da política com a interminável ciranda de escândalos. A inevitabilidade das reformas, por sua vez, poderá sensibilizar parte significativa do eleitorado; e o efeito da calamitosa situação da segurança pública sobre a campanha política ainda está por ser devidamente avaliado.



CRÔNICA - Mulher no Espelho (EOS)


Mulher no espelho
Edmar de Oliveira Santos*



Toda mulher é mais ou menos narcísica. Prova é que observar uma mulher frente ao espelho é muito interessante. Um foi feito para o outro; à moda daqueles pares que, por tanto combinarem-se, servem até de inspiração para músicas, do tipo: “como a camisa e o botão; Romeu sem Julieta; sou eu, assim sem você!”

No entanto, como todo bom relacionamento, muitas vezes vemos um conflito aqui e ali, quando um ou outro, só de birra, causa uma chateação em seu parceiro.

Assim, o espelho, sempre mantendo um absoluto silêncio, como um sábio estoico que se julgava imune ao infortúnio, permite que sua parceira se auto-aprecie, proferindo monólogos analíticos de sua beleza que, quando se acha realmente bela, em nada agradece ao parceiro que lhe reflete, sequer tem o cuidado de lhe passar a velha flanela.

Ao contrário, se ele lhe revela a imagem de algumas protuberâncias celulíticas, estrias ou varizes, logo lhe direciona frases características de discussões de relacionamento, as velhas “DR”, tipo: “Odeio esse espelho!”

Mas se sabe que um não vive sem o outro. Ora, eles até se perseguem pelas ruas e bares, lojas e supermercados, sendo fácil vê-los um frente ao outro em toda parte. O espelho é mesmo paciente e apaixonado, não cansa de replicar a imagem de sua parceira, quer onde ela esteja.

Já a mulher em sua complexidade, o a pequena, sem medir as consequências, só para que caiba em sua bolsa para continuar a trazê-lo sempre consigo.

Eis que em seus caminhos, um terceiro lhes aparece: o tempo. Este os cerca e os impacta por toda a vida, como querendo mostrar que um dia se cansarão um do outro. O espelho, envelhecendo, se enche de manchas, que vão lhe diminuindo o poder de reflexão; a mulher vai enrugando a pele, os contornos se perdem na flacidez, cabelos embranquecendo, a beleza se esvanecendo.

Mas o tempo, por mais incisivo que seja, não consegue lhes tolher a vontade de estar um de frente ao outro, ainda que para comprovar a velhice e lembrar-lhes dos tempos em que ambos, cada um de a sua maneira, brilhavam!


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

COLUNA - Nº 1224 - 15.02.2018 (VA)


COLUNA DO VICENTE ALENCAR
Nº 1224
QUINTA-FEIRA
15  DE  FEVEREIRO  DE  2018
FORTALEZA
CEARÁ



AGENDA CULTURAL PARA FEVEREIRO


ATENÇÃO!

NÁUTICO ATLÉTICO CEARENSE – o clube que não pode ser assassinado. Aderbal Aguiar Junior espera sua adesão ao movimento Náutico Urgente. 

A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RADIALISTAS DE TURISMO – ABRRATUR lembra às autoridades   É necessário mandar recuperar com urgência a Praça Voluntários da Pátria, localizada no Centro da Cidade, onde estão,  entre outros, os prédios da Secretaria de Polícia e do Palácio Iracema, onde funciona a Secretaria de Finanças do Município. A Praça está uma pocilga, toda estragada e lotada de lixo. Uma pena que a 5a Capital do Brasil suporte uma coisa assim.


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