segunda-feira, 26 de junho de 2017

NOTA ACADÊMICA - Outorga da Comenda Benemérito Ivens Dias Branco


COMENDA
BENEMÉRITO IVENS DIAS BRANCO
CERIMÔNIA DE OUTORGA



Atingiu pleno êxito a Assembleia Geral Extraordinária da ACLJ da noite deste sábado, 24 de junho, no Palácio da Luz, solenidade em que foi outorgada a Comenda Benemérito Ivens Dias Branco a cinco radialistas.





Os novos comendatários da ACLJ são Paulo Oliveira, Tom Barros, Moreira Brito, Roberto Ribeiro e Vicente Alencar. As medalhas e diplomas correspondentes foram entregues aos agraciados por Dona Consuelo Dias Branco, viúva de Ivens, e pela Dra. Graça Dias Branco da Escóssia, a primogênita do casal.


A data coincidiu com o primeiro aniversário de morte do grande empresário cearense, Francisco Ivens de Sá Dias Branco, e a comenda foi instituída para agraciar os profissionais cujos programas radiofônicos ele ouvia e apreciava.







Estavam ainda presentes à solenidade a Dra. Regina Dias Branco Ximenes, também filha do grande homenageado, e a religiosa Ruth Saraiva Leão, irmã de Dona Consuelo Dias Branco. 

A solenidade, que foi magistralmente conduzida pelo jornalista veterano e apresentador de televisão Augusto Borges, teve início com a clarinada de trompete triunfal, realizada pelo arauto oficial da Academia Cearense de Letras, Jean Carlos Rodrigues.





Em seguida, após formada a Mesa Diretiva, a Banda de Música da 10ª Região Militar executou o Hino Nacional e a Ode Alencarina, que é o hino oficial da ACLJ, composição dos acadêmicos Inês Mapurunga e Descartes Gadelha.

O trompetista Jean Carlos executou em seguida, desta vez ao flugelhorn (instrumento de sopro), o Cântico Cearense, que o grande compositor romântico Evaldo Gouveia, Membro Benemérito da ACLJ, compôs especialmente para a instituição, dando à obra o agnome de “Canção da Academia”. Evaldo, que estava presente à solenidade, e que é um exigente musicista, considerou que o solo de Jean Carlos foi perfeito.






























Após declarada aberta a solenidade pelo Presidente Emérito da ACLJ, o Prof. Dr. Rui Martinho Rodrigues, a atriz e poetisa Karla Karenina, Membro Titular Fundador da ACLJ, assumiu o púlpito auxiliar, de onde conduziu a entrega das medalhas e dos diplomas por Dona Consuelo e Dra. Graça Dias Branco da Escóssia.

A acadêmica Karla, funcionando como mestra de cerimônia auxiliar, recepcionava cada um dos recipiendários da Comenda e lhe franqueava o microfone, para as suas palavras de agradecimento pela láurea, todos eles referindo especialmente a sua relação pessoal com Ivens Dias Branco. 



A própria Karla narrou fato interessante de quando era caloura na TV, fazendo dupla cômica com a sua prima Valéria Vitoriano (a Rossicleia) no Programa Irapuan Lima, e um candidato a cantor queria concorrer ao certame entoando o jingle do patrocinador M. Dias Branco: "Macarrão Fortaleza, é qualidade com certeza..."


Na sequência, as veteranas Concita Farias e Estefânia Vasconcelos entregaram flores, por meio do Cerimonial, à Dra. Graça e a Dona Consuelo, respectivamente. Dona Beatriz Alcântara, imortal da ACL, passou às mãos desta última o título de Primeira Dama da Indústria Cearense, na sua condição de Presidente do Conselho de Administração do Grupo M. Dias Branco, sucedendo ao seu ilustre marido.



Após a fala do Senador Cid Carvalho, Presidente de Honra da ACLJ, que encerrou a primeira parte da solenidade, jovens componentes da Academia Maria Ester de Leitura e Escrita fizeram um rápido recital de poesias, e logo após foi celebrada uma missa cantada pelo Padre José Dantas, que é cantor lírico, o qual foi acompanhado pelo conjunto musical Tarantella, da Fábrica Fortaleza. 

Durante a missa, o celebrante fez menções especiais ao homenageado Ivens Dias Branco, mas referiu nominalmente todos os demais acadêmicos da ACLJ falecidos até hoje, coincidindo com a projeção de suas imagens no telão, por ordem cronológica de seu passamento a Jornalista e Professora Ivonete Maia, o Professor e bibliófilo José Alves Fernandes.

Também o Jornalista Edilmar Norões, o Advogado, Jornalista e Professor Paulo Maria de Aragão, o Auditor Federal Ayrton Vasconcelos, A empresária Yolanda Queiroz, a paracadêmica Marlúcia Jesuino, e a Advogada e Jornalista Wanda Palhano.
  








Compareceram ao evento os acadêmicos da ACLJ José Augusto Bezerra, Lúcio Alcântara, Alfredo Marques, Aluísio Gurgel, Arnaldo Santos, Augusto Borges, Geraldo Jesuino, Cid Carvalho, Adriano Jorge, Dorian Sampaio Filho, Karla Karenina, Luciara Aragão, Denise Gurgel Sampaio, Paulo Ximenes, Amaro Pena, Reginaldo Vasconcelos, Rui Martinho Rodrigues, Vicente Alencar, Moreira Brito, Ulysses Gaspar, Sávio Queiroz, Geraldo Gadelha e Humberto Ellery.

Virtualmente presentes, porque justificaram expressamente a sua ausência física, por motivo profissional ou de saúde, os acadêmicos Beneméritos Igor Queiroz Barroso e Descartes Gadelha, e os Membros Titulares Cândido Albuquerque, Antonino Carvalho, Concita Farias, Vianney Mesquita, Dilson Pinheiro, Roberto Moreira, Cássio Borges e Totonho Laprovitera.

Presidiu a Mesa Diretiva da solenidade o Ministro Ubiratan Aguiar, Presidente da Academia Cearense de Letras, que também se pronunciou no final da solenidade, lembrando o fato de que é conterrâneo de Ivens Dias Branco, ambos nascidos na cidade cearense de Cedro, onde ainda modestamente teve início a indústria de panificação da família Dias Branco.

Na edição de hoje (26.06.17) de seu programa radiofônico Antenas e Rotativas, pela Rádio Cidade, Cid Carvalho fez um verdadeiro panegírico da solenidade de sábado, que, segundo ele, tomou ares místicos, pelo clima de profunda emocionalidade produzido, tanto assim que ele, que é adepto da doutrina espírita, em seu discurso, dirigiu-se diretamente à pessoa de Ivens Dias Branco.














Vale registrar que a Academia Literária é um ambiente consagrado ao lado sublime da existência – às letras, às artes, à preservação da História, às memórias gentis, à fraternidade universal, às virtudes humanas enfim.

E, por isso mesmo, no seu âmbito não cabem distinções hierárquicas, ideológicas, profissionais, políticas, religiosas, empresariais, corporativas ou sociais entre as pessoas. Ali todos se irmanam na celebração da vida, na reverência aos mortos queridos, na exaltação das famílias, no culto à dignidade e à beleza, deixando extramuros quaisquer sentimentos de mágoa, dissenção, emulação ou concorrência. 

ARTIGO - O Ladrão e o Porco (RMR)


O LADRÃO
DO PORCO
Rui Martinho Rodrigues*


As redes sociais exercem um saliente papel político. Nelas, todavia, campeia a desinformação. A internet está cheia de matérias sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer. O caso do ladrão do porco é emblemático do que se passa nos novos meios de comunicação, assim como nos tradicionais, que emitem análises não muito diferentes daquele caso referido.

Alguém viu um ladrão entrar numa casa e o “denunciou” à polícia. Os policiais, ao chegar ao local da ocorrência, já encontraram o homem na rua, levando um porco. Preso pelo roubo do porco, o ladrão indagou:

– Como vocês souberam que eu estava aqui? – alguém viu você invadir a casa e fez a denúncia – foi a resposta.

O ladrão redarguiu:

– Então, vocês não podem me prender pelo roubo do porco, porque o objeto da “denúncia” foi invasão de domicílio.

Os policiais então passaram a espancá-lo, advertindo-o de que a polícia não é o TSE.

O grande público não percebe que quem chamou a polícia, no caso do ladrão do porco, não fez denúncia, mas uma notícia-crime. Esta não limita a investigação policial, porque não é ação penal, não gera acusação perante o Judiciário, nem, necessariamente, um inquérito policial (IP).

Deve gerar algum procedimento que poderá levar ao mencionado IP. Preso com o porco (simples procedimento), o ladrão será objeto de IP, que deverá buscar todos os fatos relacionados com o caso. Ao concluí-lo a autoridade policial poderá apontar a existência (materialidade) de um ou mais crimes e a respectiva autoria, encaminhando o resultado das investigações para o Ministério Público (MP).

Este poderá se mostrar insatisfeito com o IP e devolvê-lo para novas investigações; como poderá, com base nele, formular, agora sim, denúncia ao Judiciário, que poderá considerar que não existem provas suficientes, arquivando o caso; ou poderá aceitar a denúncia e iniciar uma ação penal.

Aí será preciso cuidar dos limites do objeto da ação. Não é possível que um réu seja processado por coisas diferentes em momentos distintos da ação penal. Isso violaria a defesa, que não saberia do que se defender.

Então, não cabe a analogia entre o caso do ladrão do porco e o polêmico julgamento do TSE. Leigos, formadores de opinião e até juristas de alto coturno parecem não distinguir entre coisas tão diferentes.

domingo, 25 de junho de 2017

RESENHA - Programa Dimensão Total (25.06.17)


PROGRAMA
DIMENSÃO TOTAL
25.06.17



Dimensão Total é um programa radiofônico semanal de debates, do Jornalista Ronald Machado, pela Rádio Assunção Cearense, na sintonia AM 620 ou pela Web, aos domingos, entre 10 e 12 horas, tendo como assistente de estúdio o radialista e produtor executivo Alexandre Maia.



O Jornalista Ronald Machado abriu o programa deste domingo, dia 25 de junho, fazendo uma homenagem aos festejos São João, que decorreram no dia de ontem, fazendo a técnica rodar a canção Aproveita Gente, de Luiz Gonzaga. 

Na sequencia Ronald consultou a mesa sobre a situação política do Presidente Michel Temer. 




A respeito disso, o Delegado de Polícia Federal aposentado Cesar Bertozi, vice-presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Nordeste e Secretário da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, falou de suas preocupações, que são as mesmas de sua categoria.

Ele teme que prosperem as evidentes tentativas de enfraquecer a instituição policial, por parte da elite política, toda ela envolvida nas investigações da Operação Lava Jato.

Mas Bertozi se disse um pouco mais tranquilo com o fato de que o grande desgaste público sofrido pelo atual governo vai afastando a possibilidade de que se façam mudanças da direção do Órgão, visando desvirtuar o seu trabalho, que tem total apoio da população. 

Em seguida a advogada e psicanalista Rossana Brasil Copf reclamou da imobilidade da população brasileira nesse momento, que não está indo à ruas protestar contra os atuais descalabros da política.




O segundo tema proposto foi a Parada Gay, que a cada ano se afigura maior, e o Advogado Roberto Pires foi o primeiro a se pronunciar a respeito, defendendo que aceitar a orientação sexual das pessoas seria um sinal de avanço civilizatório da sociedade. 

A Dra. Rossana corroborou esse pensamento, acrescentando que o Ceará seria um dos Estados mais "homofóbicos" da Federação, ao que o Dr. Roberto acrescentou o registro dos casos recentes do espancamento e assassinato de travestir em Fortaleza.

O advogado e economista José Maria Philomeno reforçou a ideia, frisando que as famílias têm aceitado melhor os seus integrantes que eventualmente manifestem comportamento homoxessual, bem como as decisões do Supremo Tribunal Federal a favor do casamento gay, antecipando-se ao Poder Legislativo.

Marcelo Salgado, Professor do Curso de Direito da Unifor, lembrou que a partir dos anos 80 a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexalidade do rol das doenças, até então considerada transtorno mental. E que, por conta disso, a partir do Código Internacional de Doenças nº 10 (CID-10), os gays começaram a ter direitos reconhecidos. 

Voltando ao tema político, José Maria Philomeno comentou a diferença que ainda se pode estabelecer entre os governos Dilma e Temer, pois aquela, quando sofreu o impeachment, não contava mais com base parlamentar, enquanto este ainda tem alguma força no Congresso, que lhe dá um mínimo de sustentação, apoiadores dos quais deverá ficar refém até 2018, pressionado a fazer negociatas.

O Prof. Marcelo se manifestou descrente de que Temer alcance o final do seu mantado tampão, tendo em vistar ter mentido, o que estaria muito bem configurado nas gravações de Wesley Batista, e que tem tido derrotas no Congresso em relação às reformas que tenda empreender. 

José Maria fez o interessante comentário de que o desejo da população seria dar um reset em todo o mundo político brasileiro, e em toda a legislação, para reformatar a República, como se faz com um computador irremediavelmente infectado e corrompido. 

O jurista Djalma Pinto acrescentou que o Brasil formou uma geração de predadores do dinheiro público, infiltrados em todos os partidos  políticos, e apontou os tais dos marqueteiros como uma das grandes pragas das campanhas eleitorais. 

A propósito disso, Marcelo apresentou os números de uma pesquisa que fez sobre os valores vultosos destinados a agencias de publicidade pelos principais candidatos a prefeito de Fortaleza nas última eleições, o derrotado Capitão Wagner e o Vitorioso Roberto Cláudio. José Maria lembrou que o Senador Romero Juca tem um projeto de Emenda Constitucional para a criação de um fundo eleitoral, visando tirar dinheiro do erário para as campanhas.

Por telefone, o radialista Vicente Alencar se reportou sobre o Ministro Armando Falcão, político cearense que gozou de grande poder durante os governos militares, que teria instituído a propaganda política no rádio e na televisão, que hoje é instrumento da enganação que envolve as massas. 

Em seguida, na mesma ligação telefônica, Vicente louvou a Assembleia Geral Extraordinária em que foi outorgada a Comenda Benemérito Ivens Dias Branco a cinco radialistas cearenses, que tinham a honra da audiência do paraninfo da Comenda – Paulo Oliveira, Tom Barros, Moreira Brito, Roberto Ribeiro e o próprio Vicente Alencar.



José Maria Philomeno, que compareceu à solenidade, corroborou as palavras de Vicente Alencar, enquanto Djalma Pinto, que também é Membro Titular da ACLJ, manifestou congratulações aos agraciados, notadamente Tom Barros, que foi seu colega de faculdade. Roberto Pires, por seu turno, lembrou que Ronald Machado também já foi alvo de homenagem pela ACLJ, em outra oportunidade, no seu caso o título de Mérito Jornalístico, na categoria "Veteranos".



Rossana Copf, que pertence à Comissão de Políticas Contra as Drogas da OAB, protestou contra a festa de São João promovida este ano pela "Nova CAACE", que é a caixa de previdência dos advogados, a qual teve patrocínio de marcas de bebidas, o que seria um contrassenso, em se tratando de instituição dedicada à saúde. E indagou a opinião da mesa a respeito.

Marcelo começou dizendo que não reconhece esse epíteto de "nova", quando a CAACE é uma sigla exata do nome constante nos seus estatutos, e portanto não pode adotar apelidos com finalidade eleitoral, visando a campanha para a presidência da entidade. E reforçou o entendimento de que não poderia ter o seu nome relacionado a uma marca de bebida alcoólica, por meio de patrocínio, a que José Maria também tachou de antiético. Roberto Pires também considerou inadmissível esse patrocínio.

Por fim se comentou, com ampla participação da mesa, a deflagração antecipada da campanha eleitoral de 2018, no momento em que o Brasil não consegue enxergar o horizonte do que poderá ocorrer na política já no dia seguinte, muito menos na semana que vem, que se dirá no próximo ano.  

POESIA - Antes, Agora e Depois (VM)


ANTES, AGORA E DEPOIS
(Tríptico Poético)
Vianney Mesquita**
  

1 - A N T E S – TRIBULAÇÃO


O ano tem 365 angústias; o dia 24 desencantos; a hora 60 inquietações. (JOSÉ MARIA VIGIL - intelectual eclético mexicano. Guadalajara-Já, 11.10.1829; México–DF, 18.02.1909).


Trepasso, agora, quadra angustiante,
De corpo e alma em desditosa sorte,
Num sofrer desmedido e lancinante,
Em constante rogar que a noite aporte.

Quando se esvai o aperto por um instante,
Tendo somente a inércia por consorte
E a noturna quimera feita amante,
Ao Criador chego a pedir a morte.

Encurto-me, então, ao desprestígio,
E, ante a desdita expressa no fastígio,
Como um inseto na concha me enrusto.

Até não sei quando esta dor prossegue.
Por que, também, est’ânsia me persegue,
De mim fazendo eterno ser angusto?

Fortaleza-CE, 12 de fevereiro de 1971.


A G O R A – OTIMISTA


Colho rosas dos espinhos, retiro ouro da terra e extraio pérolas das ostras. (SÃO JERÔNIMO sacerdote ilírio, tradutor da Bíblia. Estridão, 342; Belém, 420).


Não cabe em mim ventura tão imensa
De privar do milagre da existência,
Dádiva de Deus, fortuna densa,
Sem explicação plausível na Ciência.

Desfruto meu viver na plenitude,
Ao desenhar castelos, fazer planos,
Converto a senescência em juventude...
Decerto, viverei mais de cem anos.

E assim, descortinando a humana essência,
Bem fundo guardo em minha consciência
O sempre me haver bem com minha gente.

Quando Ele me tirar a vida, então,
“Arrepender-se-á” da decisão
E acederá que eu viva novamente.

Fortaleza, 27 de agosto de 2010.


3 DEPOIS – Futuro Enigmático


Se o passado, que já se foi, está além do nosso conhecimento, como ousaremos conhecer o futuro, que ainda não veio? (GEORGE BERNARD SHAW – literato, dramaturgo e jornalista irlandês. Dublin, 26.07.1856; Ayot St. Lawrence – UK, 02.11.1950).


Naqueles vinte e oito pés escritos
(Ventura, e sofrimento não perjuro).
São, pois, os dois sonetos contraditos,
Quanto a ontem, a agora e ao futuro.

Não prediz um poeta nascituro,
Tanto de ardor e inspiração estritos,
Absolutamente nada do obscuro
Dos devires somente ao Pai restritos.

Antevê-los, assim, resta impossível.
E a quem não é profeta é infactível
Dos celestes intentos conhecer.

Pela crença, entretanto, inquebrantável,
Nos prodígios do Alto Inigualável,
Feliz eternalmente eu hei de ser. 

Fortaleza, 05 de junho de 2017.




sexta-feira, 23 de junho de 2017

CRÔNICA - Guerra é Guerra (HE)


GUERRA É GUERRA
Humberto Ellery*


Para quem gosta, como eu, de ler sobre as guerras em geral, a Segunda Grande Guerra em particular, está assistindo agora à utilização de diversas táticas empregadas no monstruoso conflito em plena arena política brasileira.

Afinal, Carl von Clausevitz dizia que a guerra “é a continuação da Política”, conceito que Michel Foucault inverteu para “a Política é a guerra continuada por outros meios”. Já o Cardeal Richelieu dizia que a guerra era a última razão dos reis, frase que impressionou tanto o Rei Luís XIV que ele mandou imprimir nos canhões de seu exército “ULTIMA RATIO REGUM”.

Analisando friamente a razia promovida pelo General Janot (não confundir com o General Junot, comandante das tropas napoleônicas na invasão de Portugal) vemos que o janota começou com uma Blitzkrieg, uma tática militar que consiste em utilizar forças de alta mobilidade.



Trata-se dos esquadrões Panzer (abreviação de panzerkampfwagen), em ataques rápidos e de surpresa, com o intuito de evitar que as forças inimigas tenham tempo de organizar sua defesa, contando com o apoio aéreo dos Stuka (Junker JU 87) da Luftwaffe, e a ocupação do terreno pela infantaria.

Essa tática foi desenvolvida pelo brilhante general Erich von Manstein e aperfeiçoada por Heinz Guderian (na minha opinião, o mais talentoso dos generais do Hitler). Seguindo milimetricamente o seu plano diabólico, o janota tratou de atacar simultaneamente seus dois inimigos, o Temer e o Aécio.

Por que o Aécio? Ora, o espião infiltrado (quinta coluna) Joesley Safadão já deixou isso bem claro, quando apontou o Temer com o número 1 e o Aécio com o numero 2. Caso derrubassem somente o Temer, o Aécio seria o mais forte candidato a ser eleito indiretamente pelo Congresso, e o candidato deles é o Lula; portanto, era necessário destruir também o numero 2.

Alguma coisa deu errado com a blitzkrieg desencadeada, e assim como as tropas inglesas conseguiram fazer a tormentosa retirada de Dunquerque, para desespero do Hitler, o Temer, mesmo atingido em cheio, ainda resiste.

Como “nas guerras a primeira vítima é a Verdade”, segundo Sêneca, os guerreiros se aliaram à Rede Globo para repetir o que fizeram com o Ibsen Pinheiro, com o casal Shimada da Escola Base de São Paulo, também na edição do debate Collor/Lula em 89, e otras cositas mas.

Quem tiver interesse pelas mentiras globais que vá pesquisar, o que eu já sei é suficiente para me dar engulho. Mas não se diga que eles (o Janot, o Fachin e a prima Carminha) não têm espírito esportivo, pois o Fachin está demonstrando um talento formidável na modalidade Corrida com Barreiras, de matar de inveja o campeão olímpico e recordista mundial, o americano Aries Merritt.

Observemos que a Constituição Federal determina que o relator de uma denúncia seja escolhido por sorteio (desde que o assunto já não esteja sendo examinado por um determinado ministro, como era o caso). Não é problema. O Fachin pula por cima da CF/88 e se auto outorga o cargo de Relator (que o STF, numa decisão previsivelmente corporativista, aprovou).

A CF/88 não permite também que seja utilizada prova ilícita (gravação clandestina) em processos, mas o Fachin pula por riba de novo e utiliza uma gravação que não foi sequer periciada! O Regimento Interno do STF determina que a homologação de uma delação contra o Presidente da República seja feita pelo Pleno. Mas o Fachin pula mais essa barreira e faz, ele mesmo, a homologação, monocraticamente... É um verdadeiro Campeão.

O Janota agora anunciou que vai “fatiar” a denúncia contra o Temer e transformá-la em três ou quatro denuncias diferentes, que serão encaminhadas em ondas de ataque. Essa tática chama-se Fogo de Barragem, método criado pelo exército britânico na Segunda Guerra dos Boêres, bastante empregada depois nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais, que consiste em fogo de artilharia em larga escala, com disparos feitos numa cadência contínua.

Seu objetivo é criar uma barragem de fogo para impedir ou dificultar o deslocamento do inimigo; sua utilização é vista mais como um método neutralizante que destruidor. Na Canção da Artilharia ficam bem claros esses objetivos: “Com seus tiros de tempo ou de percussão / Às fileiras inimigas levo a morte, a confusão”.

Diante de tantas ilegalidades, injustiças, mentiras e ódio destilados por essa tropa de cretinos, ainda tem gente que me pergunta por que estou do lado do Temer! Não sou Artilheiro, sou marinheiro, estou mais para o “Cisne Branco que em noite de lua vai navegando num lago azul ...” Mas quero concluir com as estrofes finais da emocionante Canção do Artilheiro:

Se é mister um esforço derradeiro
E fazer do seu corpo uma trincheira
Abraçado ao canhão morre o artilheiro
Em defesa da Pátria e da Bandeira
O mais alto valor de uma nação
Vibra n´alma do soldado,
ruge n´alma do canhão.



Com um forte abraço a meus amigos artilheiros e marinheiros.





COMENTÁRIO:

A análise política do Ellery, pela forma e pelo conteúdo, se coloca no topo de tudo que se escreve sobre o momento históricos que estamos atravessando. Parabéns pelo texto.

Rui Martinho Rodrigues


NOTA FÚNEBRE - Wanda Palhano


NOTA DE PESAR
FALECIMENTO DA BENEMÉRITA
WANDA PALHANO


A presidente do jornal O Estado, Wanda Palhano, 3º Membro Benemérito da ACLJ, morreu nesta quarta-feira, dia 21, aos 84 anos, em Fortaleza. Ela estava internada no hospital Monte Klinikum e teve uma parada cardiorrespiratória.

A jornalista, que era também advogada, foi a primeira mulher cearense a ocupar o cargo de procuradora-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Foi ainda Procuradora Federal e a primeira Conselheira da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE).

Wanda era natural do Paraná e veio para o Ceará ainda criança. A jornalista presidia o jornal O Estado desde 1996. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília e em Administração Pública pela Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Os que fazem a ACLJ manifestam à família Palhano o seu profundo pesar pelo passamento da confreira, que além de grande profissional do Jornalismo e do Direito que se revelou ao longo da vida, Wanda foi um ícone da elegância feminina, durante a juventude, nos salões da sociedade cearense.

Por isso, por  toda a vida, ela era sempre referida como "Bela Wanda", por seu amigo Olavo de Alencar Dutra, grande intelectual cearense radicado do Rio de Janeiro, onde faleceu na década de 90, Patrono Perpétuo da Cadeira de nº 7 da ACLJ.





Wanda Palhano foi convidada para compor o grupo inaugural da ACLJ, em 2011, tendo sido diplomada titular de uma das suas cadeiras, porém, por questões de saúde, não chegou a tomar posse. Em razão disso, foi sublimada à dignidade de Membro Benemérito.