domingo, 10 de dezembro de 2017

NOTA ACADÊMICA - Habemus Hominem


FUMAÇA BRANCA
HABEMUS HOMINEM


Após longas lucubrações e escrutínios, no cotejo dos diversos nomes de celebridades cearenses propostos, a Decúria Diretiva da ACLJ definiu sobre qual deles deveria recair o título de “Homem do Ano no Ceará em 2017”, sendo finalmente aclamado o Senador Eunício Oliveira para a outorga dessa láurea anomalística.


O detentor do mesmo título, em referência ao ano passado, é o empresário Beto Studart, que foi distinguido pela sua profícua atuação na Presidência da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) durante o ano de 2016, tendo instituído o Núcleo de Estudos Políticos, que reuniu os grandes expoentes da intelectualidade cearense para discutir os problemas do Estado.

O critério de escolha não é afetivo, nem ideológico, tampouco político, mas pragmático. Assim, para este ano, concluiu-se que ter ascendido à Presidência do Senado da República, consequentemente à titularidade do Congresso Nacional e ao comando do Poder Legislativo Brasileiro, representa o feito de maior destaque no período definido.



O Senador Eunício Oliveira recebeu a ACLJ em sua casa, foi oficialmente comunicado de sua eleição, tendo aceitado e agradecido a distinção da homenagem. 

A solenidade de outorga do título O HOMEM DO ANO NO CEARÁ EM 2017, ao Senador Eunício Oliveira, será na noite dia 14 de dezembro, quinta-feira, às 19:00h, no Auditório Murilo Aguiar da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.

CONVITE - Confraternização da ACD

NOTA LITERÁRIA - Talvez em Nome do Povo


LIVRO SOBRE
LEGITIMIDADE
E
REPRESENTATIVADE


O Prof. Rui Martinho Rodrigues, Presidente Emérito da ACLJ, é um polímata – aquele que domina múltiplas áreas do conhecimento.

Doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco, é Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, e é advogado, graduado em Direito pela Universidade de Fortaleza.

O Prof. Rui detém ainda uma graduação na área de saúde, ciência que o habilita a uma profissão que ele só exerceu na juventude, o que o faz muito versado também em biologia e medicina.

Especialmente interessado em História Universal, em teologia, em sistemas políticos antigos e modernos, nos grandes conflitos bélicos em que os povos se envolveram, em armamentos, enfim, Rui Martinho Rodrigues enfrenta qualquer assunto em extensão e profundidade.

Ele acaba de tirar da algibeira mais uma obra de fôlego, intitulada “TALVEZ EM NOME DO POVO – Uma Legitimidade Peculiar”, na qual discute o oportuno tema da pretensa legitimidade política do eleito, representando a vontade do eleitor. 

O livro foi publicado pela Editora da Universidade Estadual do Ceará (EdUECE), rodado e encadernado pela IMPRECE, e tem prefácio da Profa. Regina Cláudia Oliveira da Silva.       

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ARTIGO - A Ferocidade Romântica (RMR)


A FEROCIDADE
ROMÂNTICA
Rui Martinho Rodrigues*


O romantismo é associado ao comportamento amoroso, que é uma de suas formas, mas a ferocidade não está excluída. O verbete romantismo, nos dicionários, contém palavras e expressões como, [o romantismo] fez prevalecerem a emoção sobre a razão, o sentimento sobre o espírito crítico, a imaginação sobre o racional.

Maior inserção de subjetivismo, sentimentalismo exacerbado, desprovido de senso prático (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa). Romântico, no mesmo dicionário, contém palavras como exaltação, devaneio, eleva acima da realidade, arrebatado, apaixonado, narrativa imaginosa. O subjetivismo exaltado, ignorando a realidade, leva ao titanismo. Titã, semidivino, herói romântico, queria escalar o céu, superar limites, alcançar o absoluto.

A política vive dias de intolerância e agressividade. A desilusão com as instituições e a crise generalizada contribuem para tanto. A falta de representatividade dos partidos, sindicatos e Congresso; crise econômica; escândalos alimentam a exaltação.

O populismo e a cegueira ideológica estimulam ideias mirabolantes, como solução inodora para a crise; escalar o céu, como o Titã, usando como escada o Estado provedor; desprezo pela realidade das contas públicas; crescer sem investir; endividar-se sem pagar juros. Prevalecem os sentimentos sobre a razão, a imaginação sobre o racional, a elevação acima da realidade, a narrativa imaginosa.

Quando o céu pode ser alcançado, mas não o fazemos, “só pode ser porque algum malvado nos impede”. A busca do “mundo melhor” passa a apontar culpados, exigir punições, elaborar teorias conspiratórias.

Não importa que os românticos tenham governado fazendo dívidas junto ao capital financeiro que desfrutou os maiores lucros durante o governo dos titãs. 

Impor a subjetividade com a força do gigante é buscar o absoluto. É totalitarismo. 

Impõe uma consciência oficial, agride a moral do outro, taxando-a de preconceito, criminalizando-a, instituindo delito de opinião.

A intolerância em face dos conceitos do outro; da racionalidade e com quem diz que os pródigos não podem culpar o capital financeiro por atender à demanda por crédito. É o ódio titânico. Interesses corporativos, populismo e desinformação se aliam para produzir intolerância e ódio.


ARTIGO - Ocorrência Inédita e Auspiciosa (VM)


Ocorrência Inédita
e Auspiciosa
Vianney Mesquita*

Aquele cujas mãos estão cheias de tâmaras não apedreja as plantas.
(SAADI, poeta e filósofo persa)

Dês que sou parte de instituições culturais de nossa Terra, jamais presenciei um sucesso, afeto a estas, que tanto agrado concede a quem a elas consagra dedicação, com vistas à defesa, sustento e evolução natural de feitos culturais, tanto de ordem material, quanto de cariz imaterial, no âmbito antropológico.

Sou o ocupante, desde 1993, da Cátedra 35, da Academia Cearense da Língua Portuguesa, patroneada por Estêvão Cruz, e, sobrante o fato de ser partícipe desta insuperável Corporação, configurada na Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, onde sou titular da Cadeira 22, também componho a Arcádia Nova Palmaciana, como o árcade Jovem Chronos, e fui seu fundador, com assento na Cadeira 1.

Reporto-me à comparência constante aos eventos deste Sodalício da maioria dos (das) nossos (as) beneméritos (as), muitos dos (as) quais pessoas muito ocupadas, empresários de três expedientes, políticos, artistas, literatos de escol, mas que valorizam, à exaustação, os bem apropriados serões e programas culturais diversos desta Academia, não importando o período da semana, tampouco a hora do dia ou da noite (modéstia à parte da nossa operosa Diretoria).

Vê-se, pois, com admiranda vigência, o comparecimento, à maioria dos eventos acelejanos, e.g., do intelectual eclético José Augusto Bezerra, de há muito no pantheón da história da cultura do Ceará, mercê de sua atuação inexcedível, tanto na Presidência do Instituto do Ceará, onde realizou trabalho dos mais relevantes, quanto na Direção-mor da Academia Cearense de Letras, cujos haveres físicos do edifício-sede e de seus arredores houve por bem magnificamente recobrar; sem narrar, por dispensável – e para não operar delongas – os onera de que se descomete nos diversos quadrantes de apuro cultural para os quais é chamado a organizar e socorrer, como, verbi gratia, na qualidade de fundador e mentor maior da Associação Brasileira de Bibliófilos, com sede no Ceará.

A igual sucede, ainda, com os senhores ministro Ubiratan Aguiar, homem de letras e operador substantivo e adjetivo do Direito, na doutrina e na jurisprudência, Presidente atual da ACL; empresário Beto Studart, atuante em todos os setores da Economia e Presidente da FIEC, reconhecido internacionalmente como empreendedor e, acima de tudo, mecenas; Evaldo Gouveia, cantor, compositor paradigmático da canção nacional – letras e melodias  apreciado por audiências de todos os intervalos etários; o médico, político, administrador e erudito do beletrismo nacional, Lúcio Alcântara, modelo de pessoa [consoante o são, também, os (as) demais componentes beneméritos (as) da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, apreciados (as), em primo lugar pelos caracteres de pessoas retas]; mais a senhora Graça Dias Branco da Escóssia, o empresário múltiple Edson Queiroz Neto, o pintor e poeta Descartes Gadelha, o administrador e empresário de visão patrial, Deusmar Queiroz... e os outros beneméritos da ACLJ, cujo exercício de ações profissionais, bem assim no concerto da sociedade, inteligência e cultura, requer o registro num livro de duzentas ou mais páginas para cada qual.

Admirável, por exemplo – num lance em que também sobrelevo os nomes de TODOS os nossos beneméritos  é a figura da Dr.a Paula Queiroz Frota, ao aparecer com destaque e juntamente com seu marido (Dr. Sílvio Frota) desde que foi empossada, em todos os eventos desta Arcádia, sendo evidente sua satisfação em participar de um ato da ACLJ, bastando o leitor divisar as fotografias de cobertura de tais solenidades, onde ela se destaca em simpatia, decerto, pela estimação conferida por ela à dignidade da benemerência, mercê da justiça e inteligência que preside ao caráter do Presidente-Fundador, Dr. Reginaldo Vasconcelos, responsável por sua indicação oportuna e correta.

De tal maneira, registo, in albo lapillo, meu aprazimento com os fatos narrados, pois eles ajudam a conduzir a Academia Cearense de Literatura e Jornalismo ao apogeu do orgulho, e máxime porque também ratificam os pretextos de sua fundação há seis anos, autentificando o seu sucesso até hoje como um dos silogeus mais aparentes, prestigiosos e afiançados do Ceará.




COMENTÁRIO:

Sem a intenção de fazer guerra de confetes com o articulista, tampouco incorrer em falsa modéstia no que ele a mim refere, de fato tenho feito um grande esforço pelo sucesso da ACLJ, que me tem recompensado.

Porém, isso não me faz credor de nada, porque a minha atuação acelejana não me martiriza, não me mortifica, não me sacrifica, não dá jus a resgate, já que atende apenas à minha mais íntima e prazenteira compulsão.

Entre as minhas taras – sejam elas inatas, segundo defendia Rousseau, sejam elas natas, pela teoria de Hobbes – está o prazer lúbrico de operar com os coetâneos para beneficiar os pósteros, dos circunstantes para os distantes, do campo privado para o âmbito coletivo. 

Isso me faz candidato ao conceito de “estafermo”, ou de "otário", ou de "lesado", para os que não sabem das grandes vantagens psíquicas que consigo tirar disso. Se faço por prazer, e não sofro ao fazê-lo, não há mérito de minha parte, segundo me parece.

De resto, corroboro a constatação de Vianney Mesquita quanto à importância dos nossos Beneméritos para o brilho da entidade, que no caso da Dra. Graça da Escóssia e da Dra. Paula Frota extrapola o aspecto meramente simbólico para uma participação muito efetiva, assim também com o empresário Igor Barroso, muito presente e interessado. 

Mas o que o Prof. Vianney não atina, e por isso não alude, é a imensa participação dele próprio para o engrandecimento da ACLJ, benefício que já se configura por ele integrá-la, em face de seu grande prestígio como intelectual, mas também pela sua rica colaboração com o Blog e absoluta presteza para o que lhe for solicitado.

Reginaldo Vasconcelos


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ARTIGO - Uma Academia para o Povo (WI)


Uma Academia

para o povo

A praça é do povo

como

o céu é do Condor

(Castro Alves)

 

Wilson Ibiapina*


A Praça do Ferreira já foi palco de tudo que você possa imaginar. Tudo que envolvia o povo de Fortaleza passava pela praça. Políticos, músicos, artistas, camelôs desempregados e intelectuais, cada grupo tem até hoje seu canto, sua roda de papo, um lugar para apreciar o movimento, como os paqueradores que se postam lá à espera de que a brisa que sopra da praia levante as saias das mulheres.

Essa praça foi o berço da opinião pública do Ceará. É nela que os problemas da Cidade e do Estado são discutidos, desde o tempo em que a Prefeitura era chamada de “Intendência” e o Estado de “Província”. Só que o povão não tinha voz, só podia ouvir.

Meu saudoso amigo Alberto Santiago Galeno, advogado, contista, historiador e trovador, no seu livro sobre a Praça do Ferreira lamenta que o povo cearense tenha sido tão insultado, tão caluniado pelos escritores reacionários dos anos 20 e 30, como Gustavo Barroso e Gomes de Matos.

Segundo o neto de Juvenal Galeno, para esses dois o povo era massa falida, ralé, massa ignara que só merecia o desprezo. Naquele tempo, os senhores do poder mandavam empastelar jornais, prender, surrar e matar jornalistas, tentando impedir a divulgação de fatos que achavam não deviam chegar ao conhecimento do povo.

Mas como nem todos comungavam dessa cartilha, na manhã de um domingo de março de 1922 um grupo de intelectuais, tendo à frente o professor Euclides César, paraibano de nascimento, cearense por adoção, fundou uma Academia Polimática – a primeira e única do País, para levar conhecimento ao povo.

Durou apenas de 1922 a 1924, mas foi a mais democrática e eficiente de quantas academias já existiram no Brasil. Essa academia não tinha estatuto, nem regras, muito menos preconceitos. A Polimática tentava chegar ao povo para esclarecê-lo, para educá-lo. O polímata é a pessoa que sabe muito, sobre tudo.

O italiano Leonardo as Vinci é reconhecido como o maior polímata da história. Tinha habilidades em artes, engenharia, arquitetura, geologia, fisiologia, anatomia etc. No Brasil, são considerados polímatas Rui Barbosa, Gilberto Freyre, Mário de Andrade.

No Ceará, o paraibano Euclides César, professor de línguas da Fênix Caixeiral, fundou a Academia Polimática por achar que a cultura não devia ser privilegio das elites, e sim um bem de toda a sociedade. A Academia Polimática de Fortaleza realizava suas sessões na Praça do Ferreira.

Os oradores, que não podiam ser aparteados, falavam sobre todo e qualquer assunto diretamente para o povo. Alberto Galeno conta que um dia Moesio Rolim representou “A ceia dos Cardeais”, de Júlio Dantas, correndo o risco de ser amaldiçoado pelo bispo Dom Manoel, já que se tratava de obra condenada pela Igreja.

A entidade, que chegou a reunir mais de dois mil filiados, instituiu um dia para homenagear as mulheres e cogitou pedir a substituição do dia da árvore pelo dia do jumento. A Academia acabou no dia em que seu fundador ficou doente. Quando se recuperou, a entidade estava morrendo. Os associados haviam debandado, alguns para o Café Riche e o Maison Art Nouveau, pontos de encontro dos intelectuais na Praça do Ferreira.

Mas o professor paraibano não saiu de cena. Foi liderar movimentos intelectuais e de protestos pela liberdade. É ainda o ex-presidente da Casa de Juvenal Galeno quem revela: “No dia 19 de agosto de 1942, Euclides César desfilou à frente de manifestantes protestando, na praça, contra os nazistas que afundaram navios brasileiros. 

O povo, tomado de fúria patriótica, pouco depois promoveu quebra-quebra de lojas de alemães, italianos e japoneses. O professor Euclides morreu octogenário em Fortaleza no ano de 1973. Poucos lembram hoje desse educador, um idealista que fundou uma academia na Praça do Ferreira, destinada ao povo.




domingo, 3 de dezembro de 2017

ARTIGO - As Muitas Faces da Liberdade (RMR)


AS MUITAS FACES
DA LIBERDADE
Rui Martinho Rodrigues*


A escolha entre a liberdade e a igualdade seria o divisor de águas do pensamento político, assim reduzido a dois polos. A dicotomia citada supõe um entendimento monolítico acerca das citadas tendências políticas, que supostamente seriam simples.

A liberdade pode ser considerada como uma sintonia com a razão (Sócrates, 469 – 399 a. C.), fórmula usada por uma das vertentes do Direito Natural. A contrário senso é um paradoxo: ser livre seria ser escravo da razão. Supõe, equivocadamente, a existência de uma razão unívoca e plenamente demonstrável.

Pensadores medievais conceberam liberdade como sintonia com a vontade divina. Liberdade seria obediência, renúncia à emancipação oferecida pelo fruto do conhecimento do bem e do mal, de modo intrinsecamente contraditório. Thomas Hobbes (1588 – 1679) entendeu liberdade como ausência de obstáculos ao desejo.

Livre seria ser escravo do desejo, na forma de mais um discurso contraditório. Querer ser o que não é; como não poder fazer tudo o que deseja não significa opressão. Tal sentimento, nestas circunstâncias, é próprio de quem é escravo do desejo. Immanuel Kant (1724 – 1804) compreendeu liberdade como a escolha livre e consciente, com o ônus das consequências.

Grupos de comportamento não sofrem restrição de liberdade se alguém desaprova as suas condutas, desde que não os impeça de agir como queiram. Desaprovar condutas é parte da liberdade de consciência e de expressão, bem como exercício legítimo de crítica.

Liberdade de agir difere da liberdade de ser. O agir é livre até o limite do direito de outrem. Avenças só exigem sujeitos capazes, objeto lícito e forma não defesa em lei. Isto é, pessoas podem livremente agir individualmente ou em parceria, quando não incorram material ou formalmente em práticas proibidas, nem se omitam de condutas obrigatórias.

O que não é obrigado nem proibido é lícito para o Direito no Estado democrático. É liberdade de agir. Sujeito capaz deve ser livre quando não lesione interesse de terceiros. A liberdade de ser converter-se-á em ilusão ou engodo quando encontre limites irremovíveis na natureza.

Um baixinho não tem a liberdade de escolher a elevada estatura, embora possa usar sapato de salto alto. Temos, no caso, aparência de elevada estatura, situada no campo fenomênico (observável), caracterizando a liberdade de agir como se fosse alto. A dimensão ontológica, porém, continuará sendo de pequena estatura, evidenciando a inexistência da liberdade ser no mundo natural.

É ilusão pensar que um homem, no exercício da liberdade de agir, por se comportar como mulher passou a ser mulher. O sexo psicossocial e o somático podem sofrer alteração, mas o sexo genético não. A liberdade fenomênica se inscreve no campo do agir. O ser se inscreve no campo da ontologia, da metafísica. O ser natural não enseja liberdade.

A expansão do interesse público limita o campo da licitude. Comer fritura, ter vida sedentária, ter opiniões politicamente incorretas”, não usar preservativos são condutas que ferem o interesse público? Então devem ser regulamentadas impositivamente. Expandir conceitualmente o interesse público é restringir a liberdade de agir. No Direito público, o que não for expressamente permitido é proibido. A regra é a proibição. No Direito Privado, o que não for expressamente proibido é permitido. A regra é a liberdade.

Ser livre não é ser aceito, receber aplausos ou reconhecimento. É fazer escolhas com o ônus das consequências. Isso leva ao problema da liberdade como direito inato ou como conquista. Quem acha que a liberdade é inata precisa definir de qual liberdade está falando: de agir ou de ser? Sintonia com a razão? Ausência de obstáculo ao desejo? Escolhas com o ônus das consequências? Liberdade ilimitada ou condicionada a certos parâmetros? Não temos uma simples prioridade entre liberdade e igualdade, mas escolhas complexas entre diferentes concepções de liberdade e de igualdade que podem engendrar contradições.

Liberdade como conquista afasta a igualdade de resultados na linha de chegada. A luta pela vida produz resultados distintos. As liberdades relacionam-se com doutrinas jurídicas. Liberdade inata ou como sintonia com a razão se liga ao Direito Natural, é cosmocêntrica, afasta a construção histórica da liberdade e da igualdade, que são antropocêntricas. 

A liberdade de avença tem natureza contratual e é regida por direitos vinculados a obrigações. É sinalagmática: cada direito tem uma obrigação correspondente.

A licitude do agir individual é uma franquia dada como direito de conquistar desfrutes. Não gera obrigação para terceiros. É direito potestativo. Todos têm direito a um palácio, ninguém pode opor obstáculo a essa aspiração. Mas ninguém é obrigado a patrociná-la, nem o sujeito será oprimido se não puder realizar seu sonho. Este direito não torna o seu titular credor de ninguém. É mera liberdade de ação.



COMENTÁRIO:

Belíssimo texto!


Geraldo Jesuino.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CRÔNICA - Ambígua Livraria (TL)


AMBÍGUA LIVRARIA
Totonho Laprovitera*



Nem faz tanto tempo assim, ao comentar que o livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, encontrava-se disponível na sessão “Pets” de uma famosa livraria da cidade, Marcelo me respondeu e complementou: “Ora, eu sei! Foi lá onde encontrei o ‘Insustentável Leveza do Ser’, de Milan Kundera, na sessão ‘Mundo Fitness’; ‘O Vermelho e o Negro’, de Stendhal, na ‘Livros para Colorir’; ‘O Idiota’, de Fiódor Dostoiévski, na ‘Autoajuda’; ‘A Divina Comédia’, de Dante Alighieri, na ‘Piadas’; e ‘1984’, também de Orwell, na ‘Sudoku’. Pelo visto as variadas sessões da livraria estão sendo muito ‘bem’ cuidadas!”

Aí, eu fui à tal livraria para conferir e vejam só o que encontrei: “A Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, na “Verduras e Frutas"; “A Vida de Pi”, de Yann Martel, na “Matemática”; “Apologia de Sócrates”, de Platão, na “Esportes – Futebol”; “As Asas da Pomba”, de Henry James, na “Ficção Erótica”; “O Banquete”, de Platão, na “Gastronomia”; “O Caráter de Cristo em Nós”, do Pr. Almeida, na “Esportes – Lutas Marciais” (leram Karatê!), “O Labirinto Perdido”, de Kate Mosse, na “Artesanato”; “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, na “GLS”; “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, na “Economia”; “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett, na “Engenharia”; e “Os Três Mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, na “Entomologia” (leram Mosquiteiros).

É, tem jeito não...



NOTAS LITERÁRIAS - Alana de Alencar e Cândido Albuquerque


CÂNDIDO ALBUQUERQUE 
TRATA DO
SIGILO INQUISITÓRIO
 E DA 
AMPLA DEFESA
  

O advogado e professor Cândido Albuquerque, prolífero doutrinador, é Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), Membro Titular Fundador da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ).

Ele lançou, na noite de ontem, dia 30 de novembro, no Anfiteatro Willes Santiago Guerra, na UFC, seu livro “O Sigilo no Inquérito Policial e o Direito à Ampla Defesa”.

Prestigiaram a solenidade de lançamento da obra o Pró-Reitor da UFC, Custódio de Almeida, o Procurador Federal Oscar Costa Filho, o Desembargador Emanuel Furtado e o Procurador Geral do Estado, Juvêncio Vasconcelos Viana, dentre muitos advogados e professores de Direito, além de amigos e parentes. 

Representando a ACLJ compareceram o Presidente Emérito Rui Martinho Rodrigues e os confrades Arnaldo Santos e Roberto Martins Rodrigues. Abaixo, a mulher do autor, Rebecca, e as filhas do casal.






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ALANA GIRÃO DE ALENCAR
POESIA MODERNA
EM
EMBALAGEM DE LUXO


Concorridíssima a noite de autógrafos da jovem poetisa Alana de Alencar, na noite da última sexta-feira, dia 24 de novembro, em que foi lançado o belíssimo livro de poemas intitulado “Detalhes da Alma de Alguém”.  

O evento, que teve lugar no Espaço Cultural Belchior, localizado exatamente onde funcionou o restaurante La Tratoria, na Praia de Iracema, ocorreu no dia seguinte à posse da autora na Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, na titularidade da Cadeira de nº 29, patroneada por Rachel de Queiroz.


O livro foi editado pela Tiprogresso, tem uma primorosa feição gráfica, todo ele em papel couchê de boa gramatura, ilustrado com fotografias artísticas de elevadíssima qualidade.


É vazado em peças poéticas de viés contemporâneo, sem rima ou métrica mas com ritmo perfeito, marcadas por grande sensualidade.

Os versos têm linguagem lírica jovial, tendendo para a coloquialidade, com vigorosa ousadia nas licenças poéticas aplicadas.

Esses aspectos reunidos dotam essa obra de uma personalidade muito forte, a requerer do leitor uma ritualística fruição poética.

O trabalho provoca afeição fetichista e sinestésica, impondo tenha o livro uma localização especial e destacada nas fileiras das estantes.


Quando pensar em mim,
que tire a minha roupa e me coma dos pés à cabeça...
e me deseje louca... sem “se”, sem regra, solta, livre,
inteira para você! ...e me tenha em mim... completa!

Quero que me beije toda... as tetas... a boca... 
e se entregue em gozo para mim, 
me desenhe na memória...
e me sinta cheiro, tato, pulsão!

Não pense em mim elogios...
recomece a dança, a guerra... os jogos de pernas... o suor...
e assim permaneça... em minhas mãos... em meus versos...
e me tome em seus braços... no seu peito cansado...
e me tenha só sua... frágil... entregue!
Pense em mim com saudade... e vontade e prazer...
com coragem de Gandhi e loucuras mundanas...

Quando pensar em mim,
simplesmente me ame em palavras...
com pensamentos em mim abstrata,
de um jeito simples concreto de intuitos...
eu, a sua rara e doce obsessão.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

NOTA LITERÁRIA - Cássio Borges Relança Livro


CÁSSIO BORGES
RELANÇA
OBRA CIENTÍFICA


O Engenheiro e Jornalista Cássio Borges lançou, na noite desta terça-feira (28 de novembro), no Salão Nobre do Náutico Atlético Cearense, a 2ª Edição, revisada e ampliada, do seu livro “A Face Oculta da Barragem do Castanhão – Em defesa da Engenharia Nacional – Um Relato Atualizado para a História.

Cássio é um dos maiores especialistas em Recursos Hídricos no Brasil, Membro Titular da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo (ACLJ) e da Academia Cearense de Engenharia, da qual é fundador, ex-diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).



A obra tem nas abas comentário do Prof. Paulo Affonso Leme Machado, da UNESP – IB, de Rio Claro (em São Paulo), prefácio do Prof. Jorge Staico, da Universidade Federal de Juiz de Fora (Minas Gerais), e apresentação do Jornalista e Advogado Reginaldo Vasconcelos, Presidente  da ACLJ, que também se manifestou durante a solenidade do lançamento.




A noite de autógrafos, cujo cerimonial foi conduzido pelo radialista Vicente Alencar, Secretário-Geral da ACLJ, foi prestigiada por um público de jornalistas e engenheiros, cientistas especializados em hidrografia, parentes e ex-colegas de trabalho do autor.


 
A Mesa de Honra foi composta por Alberto Farias (empresário e escritor), Vitor Frota Pinto (Presidente do CREA e da Academia Cearense de Engenharia), Roberto Otto (Diretor do DNOCS), Cássio Borges, Reginaldo Vasconcelos e Ésio de Sousa (Agrônomo, Escritor, ex-superintendente da SUDENE, sócio do Instituto do Ceara – Histórico, Geográfico e Antropológico).





A ACLJ esteve representada no evento pelo próprio autor da obra, Cássio Borges; por seu filho, Marcos André; pelo Mestre de Cerimônia, Vicente Alencar; pelo apresentador do livro, Reginaldo Vasconcelos; e pelos Membros Titulares Fundadores Adriano Jorge, Nirez, Hermann Hesse e Paulo César Norões.

A solenidade foi embalada a boa música, com a arte dos músicos Ribamar Freire e Alves Nascimento, e se seguiu a um lauto coquetel. 




A solenidade teve cobertura da TV Diário e da coluna virtual Balada In, do Jornalista Pompeu Vasconcelos, cujas imagens, a cargo do fotógrafo Rogério Lima, ilustram esta matéria.



DISCURSO DE APRESENTAÇÃO

Eu não tenho suficiente erudição científica na área da engenharia, da hidrografia, da açudagem, para comentar o livro de Cássio Borges, do qual fiz uma introdução, mas tenho bastante ciência do grande descortino do autor, de modo que posso fazer o que em Direito se denomina “testemunho de caráter”.

Dr. Cássio, jornalista desde a juventude e engenheiro a vida  toda, nosso confrade na Academia de Jornalismo e integrante da Academia de Engenharia, do alto dos seus 84 anos, dedicou sua existência ao estudo da matéria, e empregou os seus grandes dotes intelectuais ao escrutínio das mais variadas soluções técnicas para a gestão dos recursos hídricos.

Aliás, essa é uma preocupação humana que remonta à pré-história, passando pela Roma Antiga, com os seus famosos aquedutos, e pelos diques e reservatórios egípcios, ao longo do extenso Rio Nilo. E essas preocupações são mais agudas agora, em face do aquecimento global e do crescimento demográfico.

Mas as questões hídricas, embora tratem com as ciências exatas, envolvem variáveis climáticas, geológicas, meteorológicas, agrológicas, e até antropológicas, pois podem produzir dramas sociais e humanos, como a inundação de cidades e a remoção obrigatória de grupos étnicos ou populações tradicionais.

Que traumas culturais e humanos podem resultar da submersão de grandes geografias, dissolvendo na enxurrada quilômetros de História e de memórias e de afetos que sobre elas se fundaram? Propriedades queridas, bens de família, casas da infância, igrejas, cemitérios, prédios históricos...

Mais do que isso, até estudos sismológicos podem ser necessários antes de se manipular mananciais hídricos. O peso da água da imensa represa chinesa das Três Gargantas, por exemplo, tem feito pressão sobre placas tectônicas e provocado risco de terremotos na região, enquanto a parede do Açude Castanhão tem sido objeto de preocupações relacionadas a pequenos tremores de terra que são comuns naquela área.

Por isso, embora os cálculos físicos sobre os dados topográficos e geodésicos possam ser apodíticos e incontroversos, porque são fáticos e matemáticos, o regime de chuvas, a qualidade agrícola das terras a serem alegadas, os custos financeiros das obras, os danos ambientais a serem suportados, tudo isso é objeto dos questionamentos de Cássio, contra o determinismo da vontade política sobre o local escolhido para a construção do Castanhão, movida por vaidades técnicas e por inconfessáveis interesses.

Então, meu caro Dr. Cássio, sua luta, ainda que em relação à sua engenharia seja inócua, porque factum atque transactum est, e o que está feito não se pode desfazer, não será inútil para o jornalista que você é, pois a sua obra reinará sobre os fatos, repreendendo erros e prevenindo equívocos futuros que os vícios antigos pudessem vir a provocar.

Reginaldo Vasconcelos